Carrapato no cachorro: como tirar do jeito certo e os sinais da doença

Cachorro debilitado com orelha tomada por carrapatos

Imagem ilustrativa.

Carrapato é um dos problemas mais comuns em cães no Brasil. Ele aparece em casa com quintal, em apartamento, em cachorro que passeia na grama e até em cachorro que quase não sai. Além de incomodar e causar coceira, o carrapato pode transmitir a famosa doença do carrapato, que é séria e, se não for tratada a tempo, pode matar.

A boa notícia é que dá para prevenir, e tirar o carrapato do jeito certo faz diferença. Neste guia você vai aprender onde procurar, como remover sem deixar pedaço na pele, o que nunca fazer, quais sinais indicam que o cão pode estar doente e como acabar com os carrapatos do quintal.

Por que o carrapato é tão perigoso

O carrapato se alimenta de sangue. Enquanto está grudado no cão, ele pode passar microrganismos que causam doenças. As duas mais comuns no Brasil são:

  • Erliquiose: causada pela bactéria Ehrlichia canis, que ataca as células de defesa e afeta a produção de plaquetas, as células que ajudam o sangue a coagular.
  • Babesiose: causada por um parasita que destrói os glóbulos vermelhos e provoca anemia.

Juntas, elas são conhecidas como "doença do carrapato". Um mesmo cão pode ter as duas ao mesmo tempo. Em algumas regiões, outros carrapatos também podem transmitir a febre maculosa, que atinge cães e pessoas.

Os tipos de carrapato que atacam os cães

Carrapato-marrom (ou vermelho) do cão: é o mais comum nas cidades e o principal transmissor da erliquiose e da babesiose. É pequeno e achatado, de 2 a 4 milímetros, quando ainda não se alimentou. Depois de se encher de sangue, a fêmea incha e fica cinza ou bege, do tamanho de um grão de feijão. Ele adora ambientes de casa: se esconde em frestas de muros, buracos de parede, canis e casinhas, perto de onde o cão dorme.

Carrapato-estrela: vive na vegetação, em matas, pastos e áreas com cavalos, e só ataca o cão de vez em quando. É o principal transmissor da febre maculosa para as pessoas. Por isso, depois de passeios em sítio, mato ou área rural, vale redobrar a atenção com o cão e com você mesmo.

Onde procurar carrapatos no seu cão

Tutor inspecionando a orelha do cachorro e encontrando carrapatos

Dentro das orelhas é um dos lugares preferidos dos carrapatos. Imagem ilustrativa.

Faça uma vistoria passando a mão devagar pelo corpo todo, contra o pelo, principalmente depois de passeios. Os lugares preferidos dos carrapatos são:

  • Dentro e atrás das orelhas (é comum encontrar vários juntos).
  • Entre os dedos e as almofadinhas das patas.
  • Axilas, virilha e barriga.
  • Pescoço, por baixo da coleira.
  • Em volta dos olhos e na base do rabo.

Ao sentir um "carocinho" na pele, afaste o pelo e olhe com boa luz. Os carrapatos pequenos podem parecer uma pinta ou uma verruga.

Como tirar o carrapato do jeito certo

Remoção de carrapato com pinça de ponta fina rente à pele do cão

Segure o carrapato rente à pele e puxe para cima, sem torcer. Imagem ilustrativa.

  1. Use uma pinça de ponta fina ou um removedor de carrapatos (vendido em pet shop). Se puder, use luvas.
  2. Segure o carrapato bem rente à pele do cão, o mais perto possível da cabeça dele, e não pela barriga.
  3. Puxe para cima, devagar e com força constante, sem torcer e sem dar tranco. A ideia é que ele solte inteiro.
  4. Limpe o local com água e sabão e lave bem as mãos.
  5. Descarte o carrapato dentro de um pote com álcool, enrolado em fita adesiva ou num saquinho bem fechado. Não esmague com os dedos.

Se houver muitos carrapatos, como numa orelha tomada, não tente tirar todos sozinho de uma vez: leve ao veterinário, que vai remover com segurança e indicar o tratamento certo.

O que nunca fazer

  • Não queime o carrapato com fogo, fósforo ou cigarro.
  • Não coloque álcool, esmalte, óleo, querosene ou vaselina em cima dele para "ele soltar". Isso pode fazer o carrapato soltar mais saliva na pele e aumentar o risco de doença.
  • Não puxe com os dedos nem torça.
  • Não use veneno de lavoura, produto para gado ou "receita caseira" no cão. Muitos são tóxicos para pets.
  • Não dê remédio por conta própria. O antiparasitário certo depende do peso, da idade e da saúde do cão.

Doença do carrapato: sinais de alerta

Os sinais podem aparecer dias ou semanas depois da picada, e às vezes são discretos. Procure o veterinário se o seu cão tiver:

  • Febre, desânimo, muito sono ou falta de apetite.
  • Emagrecimento.
  • Gengiva pálida, mais branca que o normal.
  • Manchinhas roxas ou vermelhas na pele, na barriga ou na gengiva.
  • Sangramento pelo nariz ou sangue na urina.
  • Mancar, inchaço nos gânglios ou olhos avermelhados.

O diagnóstico é feito pelo veterinário com exame clínico e exames de sangue, como hemograma e testes específicos. É comum a contagem de plaquetas estar baixa. A doença do carrapato tem tratamento, e quanto mais cedo ele começar, melhor. Quando a erliquiose não é tratada, ela pode ficar silenciosa por um tempo e voltar numa fase crônica, bem mais grave.

Como acabar com os carrapatos do quintal

Carrapatos escondidos em fresta de muro perto da casinha do cachorro

O carrapato-marrom se esconde em frestas de muros perto de onde o cão dorme. Imagem ilustrativa.

Esse é o ponto que muita gente esquece: a maior parte dos carrapatos não está no cão, está no ambiente. O carrapato-marrom sobe no cão, se alimenta, cai no chão, troca de pele escondido numa fresta e sobe de novo. Por isso, tratar só o cachorro e deixar o quintal como está faz o problema voltar.

  • Limpe com frequência o lugar onde o cão dorme: casinha, caminha, cobertor e canil.
  • Tape frestas e buracos em muros e paredes perto de onde ele fica.
  • Mantenha a grama baixa e o quintal sem entulho.
  • Se a infestação for grande, converse com o veterinário sobre produtos para o ambiente. Alguns venenos são perigosos para pets e crianças, então siga sempre a orientação de um profissional.

Como prevenir

  • Antiparasitário em dia, indicado pelo veterinário de acordo com o peso, a idade e a saúde do cão. Existem comprimidos, coleiras e produtos de aplicação na pele.
  • Vistoria depois de cada passeio, principalmente em grama, mato ou sítio.
  • Ambiente limpo, como explicado acima.
  • Atenção a todos os animais da casa: se um cão tem carrapato, os outros também precisam de cuidado.
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Perguntas frequentes

Se a cabeça do carrapato ficar na pele, é grave?

Geralmente o organismo elimina sozinho em alguns dias, mas o local pode inflamar. Não fique cutucando. Se ficar vermelho, inchado, quente ou com secreção, procure o veterinário.

Carrapato de cachorro passa para gente?

O carrapato-marrom raramente pica pessoas, mas pode acontecer. Já o carrapato-estrela, de mato e área rural, pica pessoas e pode transmitir a febre maculosa. Por isso, use luvas ao tirar carrapatos e, se você for picado e tiver febre nos dias seguintes, procure um médico.

Cachorro de apartamento pode ter carrapato?

Pode. O carrapato pode vir de passeios, de outros cães, do elevador ou do condomínio. E, uma vez dentro de casa, ele se esconde em frestas, rodapés e na caminha do cão.

Banho resolve o carrapato?

Não. O banho comum não mata nem solta carrapatos grudados. A prevenção é feita com antiparasitário indicado pelo veterinário e com a limpeza do ambiente.

Meu cão teve carrapato. Preciso fazer exame?

Se ele tiver qualquer sinal de alerta, sim. Mesmo sem sinais, vale contar ao veterinário na próxima consulta, principalmente se havia muitos carrapatos. Ele vai avaliar se é preciso fazer exame de sangue.

Quando procurar o veterinário

Se houver muitos carrapatos, se o cão apresentar qualquer sinal da doença do carrapato ou para escolher a prevenção certa. Em caso de sangramento, fraqueza forte ou gengiva muito pálida, vá com urgência.

Fontes: Prefeitura de Cotia (SP), material técnico "Carrapatos em cães"; IDEXX, guia sobre diagnóstico de erliquiose canina; Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC), orientações para remoção de carrapatos.

Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta com um médico-veterinário. Em caso de dúvida ou emergência, procure atendimento veterinário.

Imagens ilustrativas geradas com inteligência artificial.

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